"Tornaste-te indispensável para todos.
E estranha para ti."
Para quem é a Maria Rodrigues
Acordas já a fazer contas ao dia. Sabes de cor as consultas dos teus pais, os medicamentos, as necessidades dos teus filhos, o que falta no frigorífico, onde está tudo, o que todos precisam — e não sabes quando foi a última vez que fizeste alguma coisa que fosse só tua. Algo que tu gostasses. Só para ti.
Não é que tenhas adoecido. Simplesmente estás comprimida entre as necessidades e prioridades dos outros. Tens os teus pais a envelhecer mais a cada dia e a precisarem de ti de formas cada vez mais exigentes. Tratas-lhes da casa, da roupa, das compras, das refeições. Ou até já os tens a viver contigo. Tens filhos que, apesar de autónomos, ainda orbitam à tua volta. Trabalhas oito horas fora e em casa a tempo inteiro. Sustentas emocionalmente toda a gente à tua volta — e fazes isso com competência e entrega genuínas. Sempre fizeste.
O que o mundo não vê é o cansaço que existe por baixo de tanto desempenho. Não o cansaço que uma semana de férias resolve. O outro — o que fica quando te sentes sozinha dentro da tua própria vida. O que aparece à meia-noite, quando finalmente te sentes só, e não tens nada de teu nesse silêncio. O que chega ao deitar na almofada a planear o dia seguinte. Porque há tantos anos que não cultivaste nada de teu que já nem sabes o que seria isso. Nem consegues imaginar-te a viver fora de todos estes papéis que representas.
Este cansaço não aparece nas análises nem em exames médicos. Não tem diagnóstico.
É o desgaste silencioso de quem viveu décadas a existir fundamentalmente para os outros. Não por fraqueza. Por arquitetura — uma estrutura de vida que nunca te deixou espaço. A Maria Rodrigues é para esta mulher.
O que fazemos aqui
O trabalho que se faz na Maria Rodrigues parte de uma premissa diferente de tudo o que o mercado já te ofereceu: tu não estás destruída, nem partida em pedaços. Não há nada para consertar. Há algo para encontrar e integrar — que foi sendo coberto, camada a camada, ao longo de décadas de existires principalmente para os outros.
De base junguiana e adleriana, o trabalho da MR vai à causa, não ao sintoma. Nomeamos o que foi silenciado. Percebemos o que foi aprendido ao longo de uma vida inteira — porque tudo o que é aprendido pode ser desaprendido. Ao ritmo que é só teu, abrimos um caminho de regresso a uma mulher que não precisas de construir: ela já existe. Só está à espera de encontrar espaço para respirar.
Aqui encontras conteúdo e acompanhamento para os diferentes momentos da tua travessia — desde o primeiro momento em que te reconheces até ao trabalho mais profundo. Cada passo é um passo. Não há atalhos. É uma jornada onde cada momento precisa de ser vivido com verdade.
O que posso prometer: não vais encontrar aqui frases de motivação, promessas rápidas nem instruções para te tornares numa versão melhorada. Vais encontrar precisão, profundidade e alguém que percorreu este caminho por dentro, na primeira pessoa, antes de te convidar a percorrê-lo também.
A porta está aberta. Podes entrar.
Guia gratuito
Um guia simples e directo para reconheceres onde estás — e perceberes que há um caminho de volta.
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Quem sou eu
Sou a Célia Maria Rodrigues. Tenho 53 anos, vivo em Lisboa, e durante quase três décadas fui a mulher que tratava de tudo — o emprego exigente, a casa, a filha, o marido e nos últimos anos a minha mãe.
Sou há mais de quinze anos cuidadora informal da minha mãe, que tem uma condição neurológica degenerativa que a incapacita de andar. Ano após ano, foi precisando de mim de forma crescente — até ocupar actualmente toda a textura da minha vida, ao ponto de não poder estar nunca sozinha.
Não me apercebi de quando aconteceu. Fui cedendo aqui e ali, ajustando-me, dando sempre tudo de mim. Fui-me tornando cada vez mais organizada, mais eficiente, mais necessária — e cada vez menos presente para mim. Fui-me tornando vítima da minha própria competência. Quando olhei com atenção, dei-me conta que vivia principalmente fora de mim. O que era meu havia sido enterrado em algum sítio que já não conseguia alcançar. Mas sentia uma necessidade urgente de desenterrar tudo isso — fosse onde fosse que estivesse.
Encontrei o caminho da única maneira possível: aos pedaços, por intuição, sem mapa. Li muito — Jung, Adler, Frankl, Estés, Beauvoir, Federici — autores que punham em palavras o que o meu corpo conhecia mas a minha mente não conseguia expressar. Percebi o que havia aprendido a ser. E o que estava enterrado por baixo disso.
"O mapa que nunca encontrei, acabei por ser eu a criá-lo, por intuição e por tudo o que vivi."
A Maria Rodrigues nasceu desse mapa. E nasceu também de uma homenagem — aos meus pais, Maria e Rodrigues, que foram o centro da minha vida durante tanto tempo. Assim como uma homenagem a ti, mulher cuidadora, que em Portugal quase sempre tem Maria no nome. Criei este espaço para ser o lugar que eu precisava de ter encontrado quando o procurei. Porque o que vivi não foi único. É o que muitas mulheres estão a viver — em silêncio, sem nome para isso.
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